3 de outubro de 2006

Hoje vou falar de amor....

Bom…bom é fazer isto que estou a fazer agora, bom para mim, talvez bom para quem ler ...vou escrever sobre amor.... rss (que pretensão).
Mas não vou sozinha, vou pedir ajuda a alguns poetas para me emprestem as suas palavras. àqueles que falam em seus versos sobre "as ausências", "sentir falta", “sentir saudades de ”.... “Hoje não a lastimo/Não há falta na ausência. /A ausência é um estar em mim”. Sim Drummond... como eu entendo, esse “não estar mais” que permanece. Esse longe dos olhos mais perto do coração... “porque a ausência assimilada/ninguém a rouba mais de mim”. É facto consumado Drummond...é parte que não se quebra, é porção que não se dilui...

Mas é esse menino de olhos verdes chamado esperança que me faz levantar todos os dias da cama com um beijo doce… eu procuro-o incessantemente mas no fundo não quero encontrá-lo.... “Só o que sonhamos é o que verdadeiramente somos, porque o mais, por estar realizado, pertence ao mundo e a toda a gente.”. É verdade Bernardo Soares, mais uma pessoa de Fernando Pessoa, meus sonhos sempre tiveram vista para o mar. Mas este mar não é o mesmo oceano que banha as costas e que castiga as rochas no final da praia, este meu mar é o meu destino, pertence a um tempo eterno que não cabe em relógios. (o eterno... não tem fim)

Corram vocês, pois eu já não tenho pressa, sei que vocês vão andar, andar e andar e no fim vão voltar para o mesmo lugar. “Aqui está minha herança/este mar solitário/que de um lado era amor e, do outro, esquecimento...”. Este verso que nasceu das mãos de Cecília Meireles, faz-me lembrar que antes que de ser, eu já era amor.

Vim ao mundo para ser um grão de areia que um dia voltará a ser montanha...a filha que se torna mãe e a mãe que se torna filha. Nesse mar de Cecília onde as margens são contrárias e as praias opostas, quando as ondas se tornarem esquecimento, eu serei viagem, pois até mesmo sem avião se voa e sem barco se navega.
Esse brilho eterno de uma mente sem lembranças por mais que se queira apagar uma lembrança, esta transforma luz em som e grita “poderás mesmo apagar-me???” (por isso eu acho que nós deviamos nascer com um botão de on/off)

E quando este mar for amor e ele estiver a morrer devagar na ponta dos meus pés eu direi… direi que enquanto o meu coração ferve e meu sangue entra em ebulição, as minhas mãos estão frias, pois esse texto é a minha voz e a minha boca fala do que está cheio o meu coração.

Também é real o que o pensamento… pensa ser invenção. O Titanic afundou, mas “my heart will GO on”.
O meu coração irá continuar a navegar por esse mar para sempre até encontrar...

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