28 de junho de 2008

Same Mistake - James Blunt



Trocaria a memória de todos os beijos que me destes, por um único beijo teu...
E trocaria até esse beijo pela suspeita de uma saudade tua de um único beijo que te dei...

(Miguel Esteves Cardoso)

25 de junho de 2008

Definitivo como tudo o que é simples...




Definitivo, como tudo o que é simples.


Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.


Sofremos por quê?


Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.



Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.


Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.


Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.


Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.


Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.


Por que sofremos tanto por amor?


O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.


Como aliviar a dor do que não foi vivido?


A resposta é simples como um verso:


Se iludindo menos e vivendo mais!!!


A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento,perdemos também a felicidade.


A dor é inevitável.


O sofrimento é opcional...




(Carlos Drummond de Andrade)

8 de junho de 2008

Os dias passam...



Os dias passam e não encontro solução...

Espasmos da dor da perda

chegam com o silêncio da solidão,

machucando sem piedade, fazendo mal ao coração...

Apertam e aumentam com o tempo,

se esgueirando pelas encostas da tristeza...

Não vêm só,

perdidos entre tantas lembranças,

trazem em seu bojo outras dores que se cristalizam

escorrendo em forma de lágrimas.

Como extinguir sonhos e destruir recordações?

O que fazer para nos livrar de pensamentos e sentimentos?

Adversidades, devaneios, dores, fazem parte da vida...

Aceitá-los é o melhor que podemos fazer...

Numa constante luta, podemos dominá-los,

refazendo caminhos,

modificando rotas,

abrindo espaço para a felicidade,

embora a saudade seja eterna...
()

2 de junho de 2008

Lua Adversa!!!


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Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua.
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário que
um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
(Cecília Meireles)