9 de março de 2015

SEMPRE ELA!!!




Ela adormeceu após tanto cansaço... doía-lhe a alma de tanto guardar lembranças.

Caiu exausta, sem reacção, sem coragem, já sem lágrimas.

As memórias podem ser armas poderosas de auto destruição... ela sentiu-se atordoada quando começou a arrumar a sua alma.

Acordou passado horas em sobressalto, ofegante de um sonho que não se lembrava mas que lhe pesava no coração.

Suava como se estivesse estado a correr horas infindáveis.
Pressentia que o sonho lhe quereria dizer algo, mas o quê?
Que há memórias que não se arrumam onde as queremos arrumar?

Que têm demasiada personalidade para se deixar influenciar?

Mais uma vez precisou de sair de casa e apanhar ar.

Vestiu a primeira coisa que encontrou espalhada pelo chão... e saiu, ainda um pouco embriagada pelo sonho.

Sentou-se no degrau de um prédio, numa rua iluminada. Sentiu o vento bater-lhe na face e jurou sentir o seu perfume.

Lutou contra esse aroma, não queria mais senti-lo ... queria descansar, repousar o espírito de tudo o que viveu e não foi sequer vivido, de tudo o que amou e não foi sequer abraçado como devia.

Ficou ali por breves horas... esvaziando de si tudo o que tinha que não pertencia ao seu corpo... a si.
O tempo começava a arrefecer e ela acabou de baixar guardar e voltar para casa, afinal era do lado de dentro da janela que ela melhor via, e que revia todas as vezes que a porta se fechava em frente a ela.

Dezembro 2014

Sem comentários:

Enviar um comentário

Obrigada pelo carinho da tua visita.