8 de julho de 2015

Baú!!!

 



Hoje abri  aquele Baú antigo, de madeira velha, carunchosa, onde guardo as minhas memórias.

Lá dentro estão pequenos retalhos da minha vida, momentos que não deixo o tempo apagar e imortalizo através de pequenos objetos.


Tenho as cartas de amor da escola primária, cheias de corações foleiros e erros ortográficos, o bilhete de cinema, daquela noite de Verão onde provei o primeiro beijo, o primeiro urso de peluche, piroso, onde se vislumbram ainda os resquícios daquilo que foi um ‘I Love You’ oferecido por um admirador de nome esquecido.


Tenho ainda guardado, muitos outros segredos, por isso, há muito tempo que não abria o
Baú, porque… tinha medo.


Medo daquilo que eu sabia que iria desenterrar.


Abri-lo era encontrar-te...


Reler os teus poemas era voltar a ouvir o som da tua voz que falava do teu amor por mim, dos teus planos para o futuro, para o nosso futuro, e por um momento, ver as tuas fotografias era voltar a perder-me no teu sorriso sedutor.


O vulcão que nos últimos meses tentei adormecer, entrou novamente em erupção.


Encontrei lá dentro vestígios da nossa vida em comum: o bilhete do primeiro concerto a que assistimos a 18 maio de 2007, uma concha que me ofereceste quando me levaste a primeira vez à praia, em Tróia, o frasco vazio do perfume que me ofereceste, o prospeto daquela viagem que fizemos que publicitava a região. O bilhete do concerto da Mafalda Veiga, "Na alma e na pele" a 24 Janeiro de 2009. Uma concha de ostra com que me surpreendeste com um jantar em 2012... tantas e tantas lembranças, e momentos que por muito que tente não consigo esquecer.


Sabes…tenho até guardado o pacote de açúcar da primeira vez que me convidaste para tomar café.


Ardi de desespero e de saudade, coloquei rapidamente o cadeado no Baú e regressei à minha realidade, disfarçando a minha agonia.


Tudo o que queria era reduzir o meu tamanho, como a Alice no País das Maravilhas, queria encolher para morar dentro daquela caixinha, porque só ali, nas tuas recordações, é que o meu coração voltou a bater.



1 comentário:

  1. as flores regressam sempre em cada primavera
    graças às memórias boas que lhes ficou
    dos perfumes trocados na primavera anterior


    as boas recordações são
    bons perfumes trocados entre dois seres

    :)

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Obrigada pelo carinho da tua visita.