1 de dezembro de 2015

Só o vento sabe de que cor que pintámos o amor...



Só o vento sabe de que cor pintamos este Amor! Eu pintei-o de branco porque era inocente, hoje pinto-o de verde na esperança do teu regresso. Tu pintaste-o de vermelho porque para ti eu era apenas um corpo de desejo. Hoje pinta-lo de negro porque já fizeste o luto de tudo o que fomos, de tudo o que vivemos.

Mas na tela em que vou pintando a minha vida, pergunto-me se alguma vez saí de perto de ti, se alguma vez pensaste em mim com carinho ou enxotaste a minha imagem do véu dos teus olhos. Questiono-me se retiraste do teu coração o fascínio de caminhar lado a lado, a minha mão na tua ausência, os teus dedos no meu desejo. Gostava de saber se alguma vez foste assaltado pela partilha enclausurada da ternura ou pela inconcebível inexistência do tempo.

Por aqui, recordo a forma inconsistente as escapadelas noturnas, sob a enorme lua diluída, as horas loucas, mergulhadas na abstração desta caminhada, que fazíamos unidos por um destino comum, mas que hoje se move em direção a nada...

De que cor pintas ainda o nosso amor???


2 comentários:

  1. Belo destaque...

    A menina mulher que descreveu estes sentimentos pinta hoje este amor de verde na esperança do regresso do amado.
    Ao concluir a leitura deste texto, vejo o amarelo da saudade como a cor predominante da tela deste episódio.
    Recordação das horas loucas das escapadelas noturnas com o seu amante e nada sobre os seus dias juntos.
    Esta menina mulher não assumiu a relação, pois não?
    Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção. in Antoine de Saint-Exupéry
    Na teia da vida, nada dá origem a nada.
    Na teia da vida tecida pelo "dize o que precisas dizer", nada está na origem de tudo.
    Uma palavra, bastaria uma palavra.
    Todo o caminho começa com o primeiro passo e neste caminhariam juntos nas passadas do coração.
    A distância não existe para os corações que caminham juntos.
    in Camila Mascarenhas Souza
    Como quer a personagem e narradora o regresso do amado se ela não lho manifesta? Correio, telefone, e-mail, Facebook, um encontro.
    O que é mais forte nesta menina mulher, o medo ou o amor?
    O Outono é transformação.

    Ela quer mesmo pintar a tela da vida a duas mãos?


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  2. Obrigada pelo teu comentário, devo confessar que foi uma sensação engraçada ler uma interpretação de uma crónica minha, grata por isso :)

    Beijo

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Obrigada pelo carinho da tua visita.