24 de abril de 2015

As palavras que nunca te direi!!!

 
 
O mar toca suavemente nos meus pés, num convite inglório que apela à minha coragem para me entregar a ele.
 
Está frio, mas o frio da água representa pequenas cócegas comparado com o frio de alma que me acompanha nos últimos dias.
 
Destapo lentamente o pescoço com a écharpe, deixo que um novo arrepio me percorra o corpo, pego nela e estendo-a na areia.
 
Deixo-me cair, como cai um peso morto…a cada dia que passa o meu corpo está mais pesado, são quilos e quilos de tristeza, de mágoa, de lágrimas que teimam em não sair.
 
As gaivotas vão-se aproximando «-Que tens tu pequena humana?» - pergunta uma. «Por que choras menina?» - pergunta outra.
 
Procuro respostas na força das ondas e eis que surges tu.
 
Tenho tantas perguntas a deambular na minha cabeça, frases perdidas, palavras soltas, sem nexo sem se conseguirem juntar numa simples oração.
 
Havia algo mais que eu poderia ter feito?
 
Podia ter dito outras palavras?
 
Podia ter tido outras atitudes?
 
Ter-te-ei dito que te amava vezes suficientes?
 
Terei sabido deixar, com elegância, a porta aberta para que soubesses que não estavas preso e que regressar a casa, voltares aos meus braços, seria sempre uma escolha tua?
 
Ou deveria ter-te fechado numa gaiola dourada e ter deitado fora a chave, na esperança vã que nunca sentisses vontade de voar?
 
Fiz tudo o que havia para fazer, ou o Destino já tinha decidido, ainda antes da linha de partida, que a escolhida não seria eu?
 
Quem está na meta à tua espera?
 
Com quem sonhas?
 
Quem é ela?
 
Como é ela?
 
Onde está a Vida que eu achei que partilharíamos?
 
Onde estão os sonhos divididos entre a areia e o sal do mar, entre a viola e o poema, entre os lençóis e as almofadas?
 
Será que sabes o que procuras?
 
Nessa busca desenfreada pelo prazer, esse êxtase fugaz que pouco te deleita o corpo mas que muito satisfaz, e muito te alimenta o ego, ficas completamente saciado?
 
Não te assalta o vazio de em outras curvas não veres os meus contornos?
 
Não sentes o travo amargo de em outras bocas não provares o adocicado dos meus beijos, em outros olhos não veres o brilho que um dia trouxe um pouco de luz aos teus dias tão cinzentos, às tuas noites de penumbra?
 
Que orgulho doentio é esse que transforma o teu corpo num colecionador de troféus?
 
Arrefece… o frio é cada vez mais intenso, o vento dói-me na pele fria, o coração insiste em parar de bater.
 
As gaivotas abandonaram-me, tiverem pena de nós, perceberam que pouco podiam fazer por mim, elas voam, são livres, respeitam todo o ecossistema e não entendem os homens, não compreendem como são tão racionais e mesmo assim, deitam tudo a perder.
 
Ao longe uma mulher bonita vagueia pela praia e brinca com um cão.
 
Será que um dia vais finalmente encontrar o que procuras?
 
 

22 de abril de 2015

Nós somos as somas das nossas opções!!!



A gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso.

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção, estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".

Não é tarefa fácil.

No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião.

Ao optar pela vida de actriz, será quase impossível conciliar com a arquitectura.

Se for a psicologia que se almeja, pouco tempo sobrará para fazer o curso de odontologia.

Não se pode ter tudo.

No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances.
Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma micro empresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.

As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços.

Escolha: morar em Londres ou numa chácara?

Ter filhos ou não?

Posar nua ou ralar atrás de um balcão?

Correr de kart ou entrar para um convento?

Fumar e beber até cair ou virar vegetariano e budista?

Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.

Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado, viver de poesia e dormir em hotel 5 estrelas.

No way.

Por isso é tão importante o auto conhecimento.

Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos.

Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que reflectir o que a gente é.
Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: ninguém é o mesmo para sempre. Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido.

A estrada é longa, mas nosso tempo é curto, portanto, tenha pressa...

Corra atrás de seus sonhos, mas não se esqueça que não podes destruir o sonho de outra pessoa, escolha o caminho do bem e do certo, para não se arrepender depois.


(Marta Medeiros)

20 de abril de 2015

ELA!!!






Ela voltou a encher o coração, de um sopro forte e arrebatador.

Despiu-se diante de si e pensou que existe alturas na vida que é preciso mudar.

Mudou de braços entrelaçados nos dela, retomou o sorriso nos lábios de outra pessoa, ateou o seu olhar na plenitude de outros olhos...

Mas ganhou coragem de olhar em frente, ganhou coragem de aceitar que as coisas mudam de lugar, que as vidas lançadas ao mundo são peças de puzzle que nem sempre encaixam, que os sonhos raramente se realizam e que a felicidade é uma miragem de pouca gente.

Mas mesmo assim enxugou as lágrimas e ergueu o queixo. Soltou uma gargalhada e respirou fundo.

Podia ser feliz!!!

Podia...


O amor pleno e absoluto, total e fugaz tinha morrido, ou tinha sido esquecido... ou tinha sido arrumado a um canto, ou simplesmente estava lá cada vês que se olhava ao espelho, mas estava lá apenas por detrás do espelho.


Já não era palpável, já não se colava a si nas noites de luxúria....

Agora tinha outro corpo colado ao seu, outro sabor por entre os dedos, outro suor a correr sobre a pele.

Agora já não havia entrega.... agora havia apenas a facilidade que dois adultos têm de conceder prazer....

Mas que importa? A felicidade é tão remota, a felicidade é tão momentânea! Se aquela entrega lhe dava arrepios naquele momento, porque não adormecer como outrora adormeceu?

Adormeceu e pensou: que se dane o amor.... o sexo por sexo é a melhor forma de não magoar ninguém.... para quê exigir mais que isso!!!



17 de abril de 2015

De novo EU...





Quando existem sonhos que se concretizam... quando tanto tempo foi de espera... em que todo esse tempo mesmo de solidão se sabia que se chegava, porque o coração comanda os sonhos e o amor os alimenta...

Por vezes temos que saber esperar e aprender a contornar o tempo para se chegar a plataforma do encontro com o amor...

Ali na calma e refugio depois da tempestade vem a bonança ...

E assim na areia a ouvir o barulho do mar, sabe-nos bem ver o quanto passámos até ali chegarmos...







10 de abril de 2015

Gostoso demais!!!





Hoje sinto uma saudade enorme, monstruosa, de ti!!!
 
Por mais que eu te tente esquecer, a luz dos teus olhos cor de mel brilha sempre com mais intensidade em mim!!!
 
Por vezes, por vezes... a saudade insiste em agarrar-se à pele como uma medusa.
 
Quando pensamos que já não está lá, o ardor encarnado relembra-nos da sua insistência.
 
E nós, que somos prisioneiros da memória, insistimos em não querer aceitar o que já foi escolhido há muito tempo, ainda que contra a nossa vontade ou desejo maior.
 
Ninguém consegue esquecer só porque lhe apetece, ou porque deveria ser assim.
 
Ninguém!!!
 
 

8 de abril de 2015

Após oito anos... nada!!!


Oito anos depois muita coisa mudou... e muita coisa permaneceu inalterada!!!
 
Há sentimentos que não mudam, há rostos que não se esquecem e ficam guardados nos recantos da memória à espera de serem rebuscados.



Os sentimentos são formas estranhas de se estar na vida, não os controlamos... podem ferir-nos de morte ou matar-nos de alegria!!!


Cada um tem de construir as pontes ou as muralhas para de alguma forma se proteger.
" Nem sei bem o que isto é!!!

 

Nem sei bem de onde vem... isto de querer tanto chega a doer!!!

 
Tento esquecer, mas o esquecer é um querer lembrar... é um não conseguir esquecer... é um querer recordar!!!
 
É como se fosse "tu a ficar por não saberes partir... e eu a rezar para que desaparecesses... eu a rezar para que ficasses... e tu a ficares enquanto saías!"
 
Já não sei se é quase pecado o que se deixa... quase pecado o que se ignora!!!
 
Ou se é quase pecado este desencontro!!!
 
Busquei nas palavras o conforto, mas as palavras já não alimentam e não são tão pouco promessas...
 
Gostei de ti enquanto o teu corpo pedia e as minhas mãos ardiam.... mas passamos a não nos tocar enquanto saias, a não nos tocarmos enquanto saiamos.... passamos a não nos tocar e vamos fugindo!!!
 
Só gostava de saber se alguma vez, pensaste em mim.... porque se assim não for..... eu não entendo porque razão não consigo desistir!!!

 

7 de abril de 2015

Fechando ciclos!!!





Não sei o que está a acontecer comigo … mas tenho andado muito estranha ultimamente, talvez seja porque a faxina que tenho feito aos meus pensamentos esteja a surtir algum efeito, começo a ficar em paz com o meu passado…
 
Vou começar do zero novamente, pois acredito em ressurreições.

A vida tem me ensinado a não pensar somente em minutos, mas em eternidades.

Quem pensa em minutos não tem paciência e não sabe esperar os momentos certos.

Quer que as coisas sejam de acordo com seus desejos.

Mas eu acredito em algo diferente, amo o meu destino e confio muito nele.

Quem pensa em eternidades não se importa tanto com a espera. Planta árvores e espera que elas cresçam, mesmo que demorem anos, para ter sombra e colher frutos, e aguarda mesmo que essa sombra e esses frutos sejam apenas usufruídos pelos seus netos.

Sou uma pessoa como todas as outras, cometo os mesmos erros, já traí, já fui traída, tenho meus momentos de depressão, minhas súbitas mudanças de humor, conto mentiras, sou indecisa, já sofri, já fiz pessoas sofrerem, enfim sou um ser humano repleto de falhas.

Muitas pessoas escrevem sobre as verdades absolutas…, como se elas não cometessem falhas nunca, isso incomoda-me.

Sinto necessidade de mostrar as minhas imperfeições, porque penso que todas as pessoas são iguais, ninguém pode ser considerado melhor do que ninguém.

O que nos diferencia é aquilo por que nós lutamos, é por causa do que nós acreditamos, é por aquilo que nós vivemos e desejamos.

É devido a nossa capacidade de reconhecer os erros, de nos arrependermos deles e tentar não comete-los novamente.

Eu andei desviada dos meus caminhos, mas quero retomar a trajectória... a vida é maravilhosa porque nos dá essa possibilidade... a de começar de novo... de reconstruir o que somos e restaurar nossos sonhos.

Eu não sou optimista, tenho sim…muita esperança. É como diz um escritor que em tempos li (pena que não me lembro o nome dele agora): “Optimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro. Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração... optimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre. A esperança se alimenta de pequenas coisas.”

Já sobre o amor Hermann Hesse disse que “o que amamos é sempre um símbolo”. Vislumbramos no rosto por quem nos apaixonamos os nossos próprios traços, como narciso se viu as margens de um lago.

E quando se torna amor, amor mesmo daqueles de verdade… o amor só quer amar e mais nada.

Enquanto a maioria vive para outras coisas, eu vivo pelo amor, pois ele é tristeza, decepção, engano, ternura, alegria, porém procuro sempre viver pelo amor, pois só o amor me ensina onde vou chegar...