29 de setembro de 2015

A certa altura...





A certa altura da vida temos só duas ou três certezas e uma infinidade de dúvidas, mas essas duas ou três certezas são suficientes para suplantar todas as dúvidas na bolsa de valores dos nossos sentimentos.

O pensamento não compreende todas as coisas ou o conjunto de acontecimentos definitivos ao qual chamamos destino.

Mas há uma certeza irónica na alma. Ela parece saber de tudo.

Nós cometemos muitos erros, fazemos um monte de asneiras, mas temos sempre a possibilidade de nos redimirmos.

A certa altura da vida os nossos sentimentos estão fracturados, cansados por tanto abuso emocional. 

Ai esses apegos!!!

Há certos acontecimentos, esses que o pensamento não compreende, mas a alma entende, que sabemos que só milagres seriam capazes de nos salvar.

É sempre preciso acreditarmos em algo que transcende nossa compreensão.

A certa altura da nossa vida paramos para pensar o que estamos a fazer com a nossa existência.

E quando chegamos a algum veredicto, e sentimos que tudo que vivemos nos leva a lugar nenhum entramos em parafuso.

Dá aquela angústia!!!

Eu combato isso pensando que se estou indo para lugar nenhum... talvez esse lugar seja exactamente o lugar para onde eu tenho que ir.

Esse lugar nenhum... talvez seja um lugar mais seguro do que o mundo no qual vivo...



24 de setembro de 2015

Mágoa que magoa!!!






É uma palavra bonita, mágoa.

Sabe a lágrimas silenciosas, a noites de insónia, a manhãs de domingo solitárias e sem sentido.

Está para lá da tristeza, da saudade, do desejo de lutar pelo que já se perdeu, da raiva de não ter o que mais se queria, da pena de ter deixado fugir um grande amor, por ser demasiado grande.

Primeiro grita-se, barafusta-se, soluça-se em catadupas.

Depois, é o pós-guerra, a rendição, a entrega das armas e as sentenças de um tribunal marcial interior, em que os juízes são a vida, e o réu, o que fizermos dela.

Limpam-se os destroços.

Enterram-se os mortos, tratam-se dos feridos, que são as nossas feridas, feitas de saudades, de desencontros, palavras infelizes e frases insensatas, medos, frustrações e tudo o que não dissemos.

A mágoa chega então, quando o cansaço já não nos deixa sentir mais nada.

É silenciosa e matreira, instala-se sem darmos por ela, aloja-se no coração.

Mas o mundo nunca pára.

Nada pára.

A vida foge, os dias atropelam-se, é preciso continuar a vivê-los, mesmo com dor.


Pelo menos a mágoa mágoa, mas faz-nos sentir vivos!!!



21 de setembro de 2015

Etapas!!!





... tu querias actos... e eu queria sentimentos!!!

É com as coisas pequenas que aprendemos as grandes.

É num beijo, num silêncio, num abraço, é num olhar e num sorriso, numa expressão, numa palavra, na cumplicidade, num gesto, num passo, num gosto de ti que aprendemos a amar.

E digo amar no verdadeiro sentido da palavra. Aprendemos a estar, a compreender, a respeitar, a olhar, a sentir, a cuidar…

São pequenos nadas da convivência que formam um todo. 

São com estes pequenos nadas que vamos aprendendo a encaixar-nos, são com estes pequenos nadas que vamos abrindo novos espaços dentro de nós.

Os pequenos gestos formam os alicerces dos grandes sentimentos.




17 de setembro de 2015

Como eu gosto de ti!!!




Como eu gosto de ti, ninguém o entenderia. 

Gostava que as coisas simples nos invadissem e que somente elas nos fizessem mover. 

Algo tão simples como falar apenas com uma troca de olhar, sentir o coração bater com um abraço, o transpirar de mãos dadas, o sal da pele e o cheiro... 

Esse é dos perfumes mais raros, e o que eu escolheria para usar sempre... O teu cheiro.. 


Tenho-o na rotina do meu dia, juntamente com o cheiro da tua memória...

E como eu gosto de ti e do teu cheiro, que nem o mundo o aceitaria, só eu sei, de dentro para dentro, como um confim de baús entreabertos de onde escuto a tua voz segredando-me tudo sobre ti e mais o rasto da tua presença, pernoitando-me de corpo fixo e amor esquivo, a temperança das tuas enchentes...

O amor, o amor, o amor... O amor faz-nos pensar, faz-nos sofrer, faz-nos agarrar o tempo, ou esquecer o mesmo. O amor obriga-te a escolher, a separar, a rejeitar. O amor castiga-te, mas também te compensa. As vezes é prémio outras castigo. As vezes salva-te, pois é um farol aquando de um naufrágio. O amor é alegria, mas as vezes tristeza....

O amor faz com que as coisas mais simples nos invadam e que somente elas nos façam mover... Gostava que te deixasses invadir pelas coisas simples e que só elas te fizessem querer-me. Querer a lua deitados na praia. Ouvir o mar de olhos fechados. Sentir o frio da areia nos pés. Sentir o escuro da noite. Sentires-me...

Gostava de me invadir em ti com coisas simples e que só elas me fizessem tocar-te. Eu, tu, um filme e uma fatia de bolo de chocolate, um chá de frutos silvestres ou mesmo uns scones com manteiga e compota. E sempre com aquele único e sentido abraço, daqueles que apertam muito mais por dentro do que fora. Daqueles que nos agarram pela barriga e nos revolvem cada pedaço do que somos.

Um abraço que não se aperta com os braços. Um abraço que se aperta com as vísceras. É nele que encontro o meu porto seguro, o turbilhão de sensações que os mesmo geram, únicos, especiais e que me dão a certeza e a vontade da entrega incondicional, redentora, apaziguadora, bela, eterna...


Um abraço com " borboletas na barriga ".

No paladar trago uma bebida doce, que ainda hoje me sabe a ti... E eu, eu soube, desde a primeira vez que te vi, que corria o risco de te querer para todo o sempre..
Não devia ter-te deixado entrar assim na minha vida, não devia. Mas não pude evitar... Entraste em mim como se de um assalto se tratasse e foi doce resistir.


Agora quero expulsar-te, e não consigo.

Perdi-me completamente em ti, por descuido, e agora não me encontro sem ti. Fecho os olhos e faço por fixar uma só imagem na memória, um só movimento curto dos teus braços, um sorriso na tua cara, uma única palavra, boa ou má, e não consigo. A imagem escorrega, desfaz-se no centro ou nos cantos. Quanto mais tento, mais me escapa. Volto atrás e recomeço. O que me vem não é o mesmo e não quero abrir os olhos para não ter que não te encontrar.

Ele continuará a existir em ti, porque o amor tem o dom de permanecer debaixo da pele e no brilho dos olhos de quem o guarda. 


Só isso se guarda: o amor, as palavras e a coragem de os viver por inteiro!!!


Gosto de ti... infinitos!!!






15 de setembro de 2015

Deixa-me abraçar-te!!!



Deixa-me abraçar-te!!!

Apertar-te forte como se fosse a primeira vez... outra vez!!!

Trespassar-te a pele como se em ti eu pudesse habitar, respirar... ficar.

O teu abraço é a minha casa, a minha muralha, o lugar onde o peito aquece e a tempestade adormece!!!

Enlaça-me em finas cordas de magia , leva-me àquele breve instante onde a noite se confunde com o dia.

Deixa-me ficar assim... no abraço quente ...de uma praia deserta, numa dança que balança de paz e sossego.

Envolve-me nos teus braços, junta os teus aos meus pedaços...
 
Abraça-te em mim e deixa-me ficar em ti... todo o tempo que quiseres!!!


10 de setembro de 2015

A Vida!!!



A vida não admite retrocesso, tudo tende a evoluir. 

Apesar das vicissitudes da mesma, não devemos pensar nunca em desistir, tentando sempre resistir. 

A evolução esclarece, a fuga entorpece... 

A vida, é dura e difícil por vezes sim, mas virá o dia em que sentimos que valeu a pena passar por tudo, para chegar ao tal "sorriso" completo.

Como dizia um homem que se foi embora precocemente...

"...Não deixem nada por dizer ou fazer, amem e sejam amados, porque a vida vale a pena ser vivida!"

A importância do tempo, é ele mesmo, e é um instante que passa tão, mas tão depressa. Quanto ao coração, se o que ele sentir for suficientemente forte, insiste, resiste e não desiste, na esperança de um dia bater ao ritmo que sempre sonhou.






9 de setembro de 2015

Sabor a Setembro!!!



Setembro sabe a fim de férias, últimos banhos  de mar, último toque na areia, últimos caracóis na esplanada e o último adeus aos amores de Verão.
Sabe a início de aulas, a alvoroço de canetas cadernos, livros e mochilas.
Setembro são saudades do Outono: das túnicas brancas de manga comprida, de écharpes à volta do pescoço, de camisolas de gola alta, de botas de cano alto e salto fino ressuscitadas do armário.
Setembro tem gosto de torradinhas onde a manteiga escorre, de cacau quente num fim de tarde, de canecas de chá verde com versos de Pessoa.
Setembro cheira às primeiras chuvas que deixam no ar o doce aroma a terra molhada, que re-energiza não só o solo mas também a vida.
Setembro tem o gosto dos dióspiros do Sr. Franco, (deliciosos, sumarentos, vermelhinhos), das uvas douradas da D. Emília, das broas de canela da D. Maria Antónia, dos figos e nozes do Raul, do moscatel do tio António, dos biscoitos de manteiga da avó Maria.
Setembro sabe ainda à manta creme de quadradinhos castanhos na qual me enrolo no sofá e me perco nas páginas de um livro, ou numa caixa de chocolate quando a tristeza aperta.
Setembro tem um toque de manhãs frias e fins de dia onde anoitece mais cedo, tem sabor, a filmes alugados e baldes de pipocas no chão da sala, a cobertores a mais na cama, tem gosto de preguiça no leito morno das manhãs de Domingo.
Setembro… sabe a ti!!!






4 de setembro de 2015

Aquele abraço que nos salva do fim do mundo...






E porque adoro ABRAÇOS... aqui vos deixo este texto que achei maravilhoso!!!


"Todo o abraço tem a calmaria da camomila e o sorriso de um girassol.

Não desconfies. 

Deixa que os peitos se encostem. 

Abraços neutralizam a dor que nos afronta. 

O encontro dos corações é a mais linda das uniões. 

Só não vale economizares no amor para te protegeres. 

Aproxima-te mais… Tenta sentir do que um abraço é capaz. 

Quando bem apertado, ele ampara tristezas, combate incertezas, sustenta lágrimas, põe a nostalgia de lado. 

É até capaz de diminuir o medo. 

Se for cheio de ternura, ele guarda segredos e jura cumplicidade. 

Um abraço amigo de verdade divide alegrias e fica feliz em comemorar, o que quer que seja… 

Abraços são pequenas orações de fé, de força e energia. 

Há sempre alguém que quer ser abraçado e não tem coragem de dizer. 

Abraça-o.

Tu vais mostrar que ninguém está sozinho e que a vida pode ser um eterno céu de primavera. 

Aproxima-te mais e tenta sentir do que um abraço é capaz! 

Há gente que mente olhando nos olhos, mas um abraço nunca mente.

Nós percebemos sempre a temperatura , nós sentimos tudo o que tem dentro. 

Até a mentira diz a verdade. 

Abraço é melhor do que lavar roupa suja. 

Ao invés de remoer o passado com listas e evidências, o abraço às vezes é o melhor “de agora em diante”. 

Às vezes o abraço vem de quem não tinha uma palavra melhor.

De quem não sabe o que dizer, e então abraça, dizendo muito de tudo aquilo que cala. 

Aceita quem não tem palavras, mas tem um abraço sincero para ti.

Mesmo que eu me esforce para ser o melhor em tudo na vida, nada para mim vai ser tão mágico quanto o meu empenho em abraçar com força e soprar para longe qualquer dor que o outro tenha.

Porque, para mim, o melhor lugar do mundo será sempre dentro de um abraço.

Quando tudo parece nada, quando um cometa nos parte em pedaços não coláveis, tudo o que precisamos é de um abraço sincero que nos salve do fim do mundo. "

Texto de Eduardo Benesi


1 de setembro de 2015

Mais um passo...





Acordei Cedo...
Amei os céus... 
Senti-me livre...
Tão pequena e tão grande!!!
Senti que somos tão pequenos no mundo e tão grandes para os que nos amam....
São nesses segundos que descobrimos a nossa importância de ser, a responsabilidade de saber receber e o dever de dar...

Só temos mesmo uma objectivo na vida (este), Saber receber e ter o dever de dar a quem merece!!!
Nestes céus vi que nada é garantido, ora estamos aqui ou ali ou acolá.
Mas o que importa é que sejamos nós. 
Genuínos, sem capas ou adornos.
Que sejamos sempre a mesma pessoa, num palácio, numa prisão ou num hospital.
Mas que nos sintamos bem connosco próprios... 
De consciência tranquila, porque em qualquer passeio que andes, com quem andes, ames ou cuides, tens sempre que gostar de ti primeiro... 
E só gostas de ti se souberes que podes fazer a pior asneira da vida, mas que a faças involuntariamente e quando a fizeste pensarias que era o melhor.
Ama-te a ti, deixa os teus inimigos falarem, cuida de quem te quer, mas acima de tudo sente que és a pessoa mais pequena deste mundo, mas és tu. 
Estás aqui ou lá em cima nos céus... És tu e vales sempre por isso. 
E a tua maior responsabilidade desta vida é seres feliz e farás a felicidade de quem te ama...
Agradecimentos à escola de Para-pente de Sesimbra