31 de dezembro de 2015

QUE 2016 NÃO SEJA UM ANO... SEJA O ANO!!!




Tenho estado para aqui a pensar em como posso desejar-vos um ANO NOVO «comme il faut!», e à minha maneira. 

Aliás, já tentei várias mensagens e nenhuma me satisfez.

Finalmente, lembrei-me de uma frase que li num livro há uns anos, e que fixei por gostar bastante dela. 


Asseguro-lhes que foi o cabo dos trabalhos para encontrá-la.

Tendo-a, por fim, encontrado, sinto-me agora capaz de vos desejar um ...BOM ANO 2016 «à maneira».

«Quem somos nós, [...], senão as histórias que contamos sobre nós mesmos, sobretudo se as aceitarmos?
[...]
Temos de alguma forma o poder de nos reinventarmos por meio das palavras.»

In: O Medo dos Bravos, de Scott Turow

Espero que não levem a mal esta forma diferente de o fazer, a verdade é que vamos mesmo ter de nos REINVENTAR!!!
 
Faço aqui um brinde a todos vocês!
 
Tenham um sábio Ano Novo!!!
 
Beijo doce e a minha amizade.


The Last Good Day of the Year

 





27 de dezembro de 2015

Um ano sem ti...





Começo a despedir-me do ano de 2015 e vou fazê-lo assim... lentamente, ao longo de quase uma semana que é para não ter pressa!!!


Hoje pensei no que é a saudade...

Para mim existem dois tipos de saudade, aquela que nos remete a algo bem longe, muito longe, quase além do infinito.

É também a saudade das pessoas que já não estão mais entre nós.


A memória é matéria-prima da fábrica de saudades.

A outra saudade refere-se a um presente que ora está afastado ora mais próximo, que ainda está fresco e latente no peito.


É a saudade concreta, aquela que podemos tocar, talvez evitando que seu poder devastador consiga ferir os corações mais frágeis.

O longe parece impedir o “estar junto”, muitas pessoas podem não estar perto de nós, mas certamente estão junto, estar junto não é a mesma coisa que estar perto.

Longe ás vezes é um lugar distante dos pés, mas tão próximo do nosso coração!!!

Sobre saudades é interessante citar o poeta Mário Palmério que exilado no Paraguai numa certa tarde, em um dos cafés de Assunção, comentou com uma amiga que sentia muitas saudades da sua terra natal.

Essa sua amiga paraguaia fascinada com a palavra perguntou-lhe o que era saudade.

Sua pergunta tinha sentido, pois a palavra saudade tem um significado na língua portuguesa não encontrado em outras línguas.

O poeta, tentando explicar a ela o significado da palavra saudade, compôs uma maravilhosa canção:

“Se queres compreender o que é saudade
Terás que antes de tudo conhecer
Sentir o que é querer, o que é ternura
E ter por bem um grande amor, viver
Então compreenderás o que é saudade
Depois de ter vivido um grande amor
Saudade é solidão, melancolia
É nostalgia, é recordar, viver”

Hoje sinto saudades dos amigos que a vida me trouxe e que pelos mais variados motivos deixaram de fazer parte do meu caminho, estrelas que guiaram meu navio através do oceano na rota que confirma meu destino.

Todos os anos vão fazer parte dos nossos longos anos em busca de paz, mas eu estou bem... vou indo, pois o tempo é só a poeira que fica para trás nessa estrada chamada evolução.

22 de dezembro de 2015

FELIZ NATAL!!!




Hoje, vim especialmente para te agradecer...

Agradecer a emoção que me proporcionas 
ao receber os teus comentários que são sempre tão bem-vindos, e lindas, mensagens que muitas vezes chegaram na altura em que eu precisava ler o que elas diziam.

E acredita, este ano foi um ano particularmente difícil.

Agradecer por mais um ano de carinho constante, e
 sobretudo, pela oportunidade que me deram de conhecer um outro sentido da palavra AMIZADE, talvez na sua forma mais ampla e integral, uma vez que é dispensável a presença do olhar, do toque e da voz.

Essa maneira, tão nova, de conhecermos pessoas 
e delas nos tornarmos amigos, transcende, ultrapassa qualquer entendimento, mas não consegue invalidar o sentimento maior que nos une.

Basta que saibamos que em algum lugar desse imenso planeta 
existe alguém em total sintonia connosco e isso nos basta.


Um Feliz Natal, a todos os que me visitam e deixam o seu carinho!!!



21 de dezembro de 2015

Tantos EU's



"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo."
Fernando Pessoa

A vida é feita de muitos eus.

Em cada esquina aparece um e ainda nos vestimos de outros tantos.

Hoje percebo cada um que aparece e cada um que visto. Até já acho graça e reconheço que faço por ter mais alguns. Já não estranho grande coisa, até estranhar! Claro está! Há sempre a possibilidade de aparecer o improvável.

Afirmo e reafirmo que temos tantos eus quantos nós quisermos. Um em cada situação, um para cada pessoa, um em cada minuto. Vou mais longe, conseguimos, até para nós próprios, ter eus completamente distintos.

Esta realidade não é linear para o comum dos mortais, até mesmo para quem achava que os eus diferentes existiam porque a aprendizagem nos faz diferentes a cada passo e, por isso o eu de hoje nunca poderia ser o eu de amanha. Mas eu arrisco a dizer que, para além desta aprendizagem existe o que gostaríamos ou não de ser, ter sido ou feito e invariavelmente pomos em nós um bocadinho disso, como se de condimentos se tratassem, o que nos torna diferentes a todo o momento. Quantas vezes me espanto com o que sou!

Outra verdade é que gostamos de nos esconder nos vários eus  e muitas vezes entre eles.

Sim, esconder. Sei deste jogo melhor do que ninguém. “Não basta ser é preciso parecer” dizia a minha Avó. Mas eu sou de opinião de que nem sempre é preciso parecer, o ser, assim tão só, basta-me.

A partir daqui vem a loucura completa, a vida pode começar a cada segundo de uma forma diferente sendo o medo o único condicionalismo.

Não, ainda não enlouqueci, mas o meu eu louco anda ai.




Uma flor amarela é só uma flor amarela? Resposta do Mestre Caeiro a Álvaro de Campos (a propósito do conceito directo das coisas) "Há uma diferença, acrescentou. "Depende se se considera a flor amarela como uma das várias flores amarelas, ou como aquela flor amarela só."(....)
Toda a coisa que vemos, devemos vê-la sempre pela primeira vez, porque realmente é a primeira vez que a vemos. E então cada flor amarela é uma nova flor amarela, ainda que seja o que se chama a mesma de ontem. A gente não é já o mesmo nem a flor a mesma. O próprio amarelo não pode ser já o mesmo. É pena a gente não ter exactamente os olhos para saber isso, porque então éramos todos felizes".
Alvaro de Campos,in "Notas para a Recordação do meu Mestre Caeiro", pag. 40, 41- Edições Estampa.


14 de dezembro de 2015

Dias...



Afinal, afinal o passeio soube-me bem. 

Não foi grande, o mar estava bravo e havia sítios onde não arrisquei passar. 

Deu para pensar e arejar as ideias. 

Às vezes sabe bem apanhar chuva e vento, principalmente quando se está a precisar de ver coisas bonitas.

É impressionante o poder das coisas bonitas em mim. Faz-me esquecer o mundo.

O mar estava forte, desordenado, cinzento, grande e encrespado do vento. 

Eu estava com frio e a precisar de companhia. 

Estivemos um para o outro!!!


“A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca.”
(Carlos Drummond de Andrade)



11 de dezembro de 2015

Momentos...




Em que os pensamentos vêm ao de cima e as palavras parecem não chegar.
Dias em que fazes um apanhado de tudo o que se passou até aquele exato momento.
Pensas no que deu certo e no que falhou.
No que a vida te trouxe e no que ela te levou. 
Pensas em pessoas. 
Talvez naquela pessoa e se tudo valeu a pena. 
Se realmente faz sentido e se depois de tudo, ainda acreditas no Amor!!!
Pensas em cada gargalhada que deste. 
No riso de alguém e no que sentes num simples gesto. 
Pensas em todos aqueles que não viste durante o ano, mas que a saudade não deixa esquecer. Pensas no que fizeste de mal e no que poderia ter corrido bem.
Pensas se foste boa em alguma coisa, ou se simplesmente tentaste ser.
Pensas na lista de desejos para o ano que passou e fazes contas à vida para ver se os realizaste ou não.
Pensas nas horas que passaram e se usufruíste do tempo o melhor que podias.
Pensas nos dias que perdeste e naqueles que passaram a voar.
Pensas nas mudanças que a vida te trouxe e pensas o quão aprendeste com isso.
Pesas tudo numa balança e fazes um resumo de tudo.
Pensas como começaste o ano e como o queres acabar.
Nas pessoas que merecem o teu carinho e das que precisam de saltar fora da tua vida, de uma vez.
Pensas na família e se lhes deste o devido valor. 
Olhas para as fotos, e vês que outrora eram mais, que quase nem cabiam no baú e que agora poucas há para rezar a história.
Pensas em ti e no que precisas. 
No que lutaste e no que tens. 
Pensas nas pessoas mais próximas e o quanto as queres do teu lado. 
Pensas no porquê de haver quem te tenha abandonado, depois de tantas promessas de que não te iam deixar. 
Pensas no porquê das promessas e o porquê da saudade, apercebes-te de que a saudade
não é compensada com prendas e que o Amor dura o ano todo, mas que também pode
acabar num simples momento.
Aprendes que a vida muda todos os dias e que tu és obrigado a mudar com ela.
Que a criança que antigamente eras, já não existe mais. 
Pensas que as tuas cores favoritas mudaram e que agora até gostas de vermelho. 
Que afinal és tolerante ao picante, mesmo que te recuses a comer francesinha. 
Pensas no que descobriste de novo e no que te surpreendeu. 
Pensas nas coisas boas e guardá-las bem dentro de ti. 
Fazes contas à vida e percebes que no fim de tudo, o que importa é seres tu.
Que não há ninguém igual a ti própria e que, com todos os erros deste ano, estás mais forte do que nunca.
Pensas que o passado não volta e que a vida é feita com olhos postos no futuro.
E por fim, pensas como queres começar o ano e como o queres acabar.

Três palavras: amizade, alegria, amor.

Três ingredientes tão simples, mas que misturados, dão outro sabor à vida.
Nunca deixes que te estraguem algum deles e mesmo que o façam, vais sempre a tempo de
recuperar.
O tempo traz, leva, guarda, cura, muda, transforma e faz-te aprender.
Aprendes que finais felizes não existem mas que és tu quem desenha a tua história e quem
escolhe as cores que a pintam.
Por isso faz-te à vida e mesmo que corra mal, não importa.
O tempo vai-te ensinar que não tinha de ser, mas que o mais importante na vida,
está em não desistir. 
Por isso sonha, luta, ama, conquista mas sê sempre TU.
E nada tem mais valor do que isso…




4 de dezembro de 2015

Quem feio ama bonito lhe parece!!!






A imagem das pessoas que estão ao nosso lado muda ao longo dos tempos e dos dias. 

Para ser mais precisa, pode mudar mesmo de uma hora para a outra.

Elas tornam-se mais bonitas ou mais feias conforme os seus gestos, os seus actos, a sua atitude, a sua maneira de estar e de tratar, de dar, de receber, de dizer...

A bem dizer a beleza de cada um, por mais que se não queira, vem de dentro, bem de dentro. 

Este processo é muito presente mas muito pouco consciente.

Apercebemo-nos disto no nosso dia-a-dia, mas o nosso subconsciente não nos revela estas realidades assim tão minimalisticamente: - Ah e tal, hoje pessoa tal está mais bonita ou mais feia por causa daquela atitude, gesto ou conversa.

Não, estas cenas reflectem-se directamente no coração e o coração transforma a nossa percepção imediata. 

Sim, é imediata. 


É imediata porque há mais luz ou menos luz nas nossas vidas nesses precisos momentos. 


Mas nem sempre esta luz é aproveitada da melhor maneira por parte de quem a dá conscientemente. 

Mas isso são outras andanças.
 

O facto é que de vez em quando temos surpresas e de um dia para o outro, uma pessoa muito bonita, de repente, vira feia e uma muito feia vira linda. 

Já dizia a minha avó que "quem feio ama, bonito lhe parece". 






3 de dezembro de 2015

Às vezes no silêncio da noite…




Fui à gaveta buscar a mantinha axadrezada de mimo, enrosquei-me nela, no calor de um chá de maçã com canela e na paixão de um livro. Acendi a lareira para que o crepitar da madeira me aquecesse os sonhos, coloquei aquele CD que habitualmente sopra os seus acordes nos dias mais intranquilos e recostei-me sobre as almofadas no chão.

Comecei a leitura preguiçosa de uma história que me fizesse esquecer de mim, novas personagens, novos enredos, finais felizes era tudo o que eu queria para as horas silenciosas desta madrugada. 

Traiçoeira, a minha mente leva-me até ao teu sorriso tímido, até ao castanho penetrante dos teus olhos, aos teus braços fortes que imagino ternos à minha volta. 

O teu rosto vai e volta como uma fantasma atrevido que me circunda, rodopia, sussurra… só para me obrigar a assumir que penso em ti, bem mais do que queria, bem mais do que devia. 

Coloco o livro de lado, deixo aquela história para depois, fecho os olhos e inspiro-te, permito à minha imaginação voar livremente ao teu encontro, na esperança que também penses em mim e que as nossas almas se encontrem a meio do caminho.

A voz possante de Nina Simone traz-me de volta à sala, canta ironicamente “I Put a speel on you” faz-me indagar se exerço sobre ti o mesmo fascínio que tens sobre mim. 

Este jogo de gato e rato, de toca e foge, de quero mas não posso, este pó de perlimpimpim que se chama desejo, que se faz muito mais de vontades do que de poções mágicas… serei eu, entre nós, a única a sentir-me assim?

As horas preguiçam descaradamente ao meu lado no sofá, o chá arrefece na minha caneca favorita, as cinzas adormecem distraídas na lareira e eis que chega de mansinho Caetano Veloso. Traz a viola ao ombro, mão no bolso, sorriso de quem já conquistou o mundo, debruça-se sobre mim dando-me um beijo terno na testa. 

Senta-se nas almofadas ao meu lado e canta baixinho só para mim: “Às vezes no silêncio da noite… eu fico imaginando nós dois… eu fico ali sonhando acordado… juntando o antes, o agora e o depois…” e evapora-se deixando-me sozinha novamente.

Uma lágrima estranha, cujo significado é indecifrável escorre pela minha alma. 

Não sei o que é isto que sinto… mas queria tanto que estivesses aqui…




1 de dezembro de 2015

Só o vento sabe de que cor que pintámos o amor...



Só o vento sabe de que cor pintamos este Amor! Eu pintei-o de branco porque era inocente, hoje pinto-o de verde na esperança do teu regresso. Tu pintaste-o de vermelho porque para ti eu era apenas um corpo de desejo. Hoje pinta-lo de negro porque já fizeste o luto de tudo o que fomos, de tudo o que vivemos.

Mas na tela em que vou pintando a minha vida, pergunto-me se alguma vez saí de perto de ti, se alguma vez pensaste em mim com carinho ou enxotaste a minha imagem do véu dos teus olhos. Questiono-me se retiraste do teu coração o fascínio de caminhar lado a lado, a minha mão na tua ausência, os teus dedos no meu desejo. Gostava de saber se alguma vez foste assaltado pela partilha enclausurada da ternura ou pela inconcebível inexistência do tempo.

Por aqui, recordo a forma inconsistente as escapadelas noturnas, sob a enorme lua diluída, as horas loucas, mergulhadas na abstração desta caminhada, que fazíamos unidos por um destino comum, mas que hoje se move em direção a nada...

De que cor pintas ainda o nosso amor???