20 de janeiro de 2016

Hoje doeste-me!!!




«Um sonho que sonhes sozinho é apenas um sonho», John Lennon

Estava ainda deitada, não precisei abrir os olhos, naquele mesmo instante o meu pensamento esvoaçou ao teu encontro. 

Senti uma dor aguda, daquelas que se propagam por todo o corpo e que o deixam dormente durante horas. 

É frequente este estado quando me dóis, ficas latente em mim, agarrado à minha essência o dia inteiro.

Já me levantei pesada, é difícil carregar-te nos meus ombros franzinos e cansados uma vez mais. 

Outro dia inteiro a sonhar-te, a lembrar-te, a respirar-te. 

É sempre assim, tento esquecer-te, apagar-te, distraio-me como posso, trabalho mais horas para ocupar os pensamentos negligentes, leio mais livros para me distrair com histórias de finais felizes, oiço mais música para esquecer a tua voz, como mais chocolates para dissolver o teu gosto da minha boca, bebo mais vinho para atordoar a tua imagem em mim, passo mais horas no ginásio para que o corpo não chame por ti.

E no fim, do dia, quando regresso à cama, ainda me dóis mais. 

São os ecos das tuas histórias a partilhar comigo o teu dia, são as tuas pernas quentinhas onde aqueço os meus pés gelados, são as trocas de mimo que só quem ama conhece, são as muralhas do teu peito onde descanso a cabeça para dormir.

Hoje doeste-me… por isso vou dormir para te apagar de mim, porque enquanto durmo esqueço que existes e habitas num mundo do qual eu não faço parte, nada temo ao adormecer, há muito tempo que não sonho contigo e não tenho a sorte de me encontrar contigo nas estrelas da noite!!!



23 comentários:

  1. Para além de extraordinariamente bem escrito, este post está cheio de carinho e paixão...
    Gosto!
    Um beijinho!

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  2. Olá Cristina,

    Uma crônica-poética muito boa. As dores da ausência estão sempre presentes. E quanto mais se firma essa ausência, mais reclama o corpo, com manifestações de dor. O remédio é dormir para não lembrar. Parabéns.

    Abraços.

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  3. Um texto muito bonito, muito poético. A ausência de quem se ama, é sempre dolorosa.
    Um abraço

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  4. Olá Cristina, lindo texto! Obrigada pela visita e recadinho carinhoso! Beijokas!!!

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  5. A dor do amor é sempre funda.

    Beijos, Cristina :)

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  6. Gostei, muito bem escrito e sentido.
    um beijinho
    Gábi

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  7. Muito bonita declaração a um amor ausente.
    Bjs

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  8. Ouvi uma musica que diz: como é difícil o desejo de amar.
    Dói, pesa e estamos sempre vivendo esta linda emoção da espera.
    Não tem como despistar o coração que espera e ama.
    Perfeita e bonita construção Cristina.
    Abraços e beijo paz amiga.

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  9. Gostei do texto!

    Isabel Sá
    http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

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  10. Não é um comentário. É um apenas agradecer a 'visita'. E desejar que a felicidade esteja por aí.

    Abraço
    MANUEL

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  11. Lindíssimo!! A dor e o amor sempre de mãos dadas... BFS bjs

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  12. Doeste-me!... Gosto.
    Também sou dos que pensam assim. Sonhar é algo efémero, irreal, sempre opto pela realidade.
    Besos

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  13. "A medicina é o remédio para todas as dores humanas, apenas o amor é um 'mal' que não tem cura".
    (Propércio)

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  14. Quanta sensibilidade: "Hoje doeste-me!"
    Texto lindo e bem elaborado, gostei!
    Agradeço, tenha uma excelente semana,
    abraços carinhosos
    Maria Teresa

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  15. Olá doce Cris,
    Há amores que nos magoam para sempre. Uma crónica magnifica. Gosto!

    Sonha mas concretiza!

    Um beijo

    "Somos assim. Sonhamos o voo, mas tememos as alturas. Para voar é preciso amar o vazio. Porque o voo só acontece se houver o vazio. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Os homens querem voar, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. Por isso trocam o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.

    É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que se as portas das gaiolas estivessem abertas eles voariam. A verdade é o oposto. Os homens preferem as gaiolas ao voo. São eles mesmos que constroem as gaiolas onde passarão as suas vidas."
    Rubem Alves

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  16. Olá. Texto lindo e sensível. Há muitas coisas que doem e deixam marcas profundas. Algumas somem. Outras permanecem para sempre. Bjs.

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  17. Quando a memória dos sentidos se magoa... Um belo texto!
    Beijo.

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  18. Belo e acertado post, Cristina; incontáveis são as vezes em que o amor nos dói! Boa semana.

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  19. Há muita poesia nesta prosa,
    è o viver nos pensamentos e desencontros.
    Mito feliz a imagem que completa este belo poema.

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  20. Olá, Cristina!

    Agradeço a tua visita e comentário.
    Eu estou bem, obrigada! Espero que tu estejas menos "dolorida".

    Um texto à tua maneira. Bonito e pesaroso, ao mesmo tempo.

    Beijinhos e good-week.

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  21. Gostei do seu blogue e vou passar a "seguidora" :)
    um beijinho e uma boa semana
    Gábi

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Obrigada pelo carinho da tua visita.