13 de fevereiro de 2016

Hoje não...



Acordei tarde e cheia de preguiça depois de uma noite em branco a preparar as reuniões. 

Decidi que hoje vou tirar o dia para mim, não quero sair para tomar café, não quero o peixe assado da mamã, não quero ouvir o telefone, não quero saber de e-mails e o resto do trabalho também pode esperar.

Tomei um banho de imersão quentinho (meu Deus, há quanto tempo não o fazia?) e voltei a vestir o pijama (adoro estar de pijama). 

Fui buscar a mantinha do mimo (aquela que já conhece de cor os filmes que eu vejo debaixo dela) e enrosquei-me num chá e num livro. 

Olho para a capa (presente de Natal à espera das férias do Verão) e penso que o meu tempo anda a ser mal gerido, faltam-me instantes para ler... para escrever... para viver… estou demasiado focada no trabalho. 

Olhei à minha volta, apreciei o silêncio (ainda me dói o silêncio) enfim: toda a casa tristemente arrumada.

Há dias em que as lágrimas teimosas insistem em preencher o vazio que ficou, há dias em que estas paredes me sufocam de tão grandes que são, e há dias (como hoje) em que a alma se deixa iludir pela doce ilusão que tenho de aproveitar o tempo para fazer uma limpeza às gavetas e armários da minha vida. 

As horas preguiçam ao meu lado no sofá, o chá arrefece na caneca do Fernando Pessoa e o Caetano Veloso traz a viola, senta-se nas almofadas e canta só para mim – “às vezes no silêncio da noite… eu fico imaginando nós dois… eu fico ali sonhando acordado… juntando o antes, o agora e o depois…”. 

24 comentários:

  1. Cristina, não tenhas medo da solidão. Há momentos na vida em que precisamos de sentir a solidão para nos questionarmos sobre o caminho que estamos a percorrer.

    Um beijinho!

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    1. Não tenho medo da solidao :) até sei lidar relativamente bem com isso. Gosto muito de estar comigo! Mas como em tudo... Tenho dias!!!
      Um beijo

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  2. Há dias assim e as duas companhias completam bem o quadro...Pessoa e Caetano! bjs, chica

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  3. Olá Cristina,
    Às vezes o silêncio dói, quando os nossos barulhos interiores gritam por nós!...
    Neste belo e sentido texto seu, veio à tona a consciência da tua saudade de Ser naturalmente,
    com instantes plenos de ti, isso é um sinal da tua riqueza interior, uma alma sensível e
    delicada que precisava respirar poesia (Pessoa) e música (Caetano). Que bom gosto!!...rss
    Apreciei muito o teu espaço de arte poética e voltarei sempre!...
    Grata pela tua gentil visita e comentário no meu espaço (blog) e volte sempre lá!...
    Beijo.

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    1. Olá Suzete, grata pela tua visita!
      Um beijo e feliz domingo :))

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  4. Cristina, a solidão não se encontra...nós é que a fazemos!;)

    Bom Domingo!:))

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  5. Com tão poucas palavras disseste tudo!
    Dia feliz!
    Um beijo :))

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  6. A solidão que dói devemos contraria-la...
    Saír de casa, distrair para ajudar a esquecer o que nos deixou tão mal.
    Força.
    Bom dia.
    www.algunsmomentosmeus.blogs.sapo.pt

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  7. Cristina

    ás vezes faz bem estarmos sós, sem nada para fazer, sem pensar em trabalho.....simplesmente a refletir.....é bom tirar o bom partido de cada uma das situações que nos aparecem...apesar de nem sempre ser fácil....

    Gostei do teu blog

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  8. Cristina, ó p'ra mim aqui a perguntar o que é isso de solidão.
    Não respondas, eu percebo. Há dias assim, mas passa. Como tudo.
    Um beijo

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  9. Olá. O dia hoje em Portugal está muito ventoso e com muita chuva. Apetece mesmo estar de pijama e curtir o lar doce lar. Tem um blogue muito bonito e sedutor
    .
    Hoje em Portugal é dia dos namorados. No blogue falo disso.
    .
    Deixo uma carícia.

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  10. Vim retribuir a visita e descobrir o seu blogue. Gostei deste texto. Vou ler mais.
    Gábi

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  11. Viver nem sempre é fácil, Mas enquanto se vive, vive-se.

    Felicidades
    MANUEL

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  12. Estes dias só para nós também são necessários, também sabem bem e fazem bem.
    Boa semana

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  13. Oi Cristina,
    Não arruma nada, deixa tudo do seu jeito, do seu cheiro. Eu fui arrumar todas as gavetas e guardas-roupas perdi o pijaminha que mais gostava.É como a vida, quanto mais mexe, mais ela retrocede.
    Beijos no coração
    Lua Singular

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  14. Há dias assim. E é bom quando a nossa própria companhia é boa. Gostei muito do texto e revi-me nele.
    Um beijo.

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  15. Recordações fazem parte da "nossa" limpeza interior e o que já não está, que já não presta, há que renovar, pke nada nem ninguém, no plano amoroso, é insubstituível.
    Precisamos de dias só para nós, mas depois, mente e corpo pedem companhia, dois dedos de conversa e aconchego.

    Beijos e boa semana, Cristina!

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  16. Pois é prezada Cristina, há dias em que nos lembramos, ainda que poucas vezes, mas, há dias em que a nossa natureza humana reclama um pouco de vivência, é isso, por termos esta condição de nos adaptarmos ao meio em que vivemos, muitas vezes nos esquecemos que algum dia não mais seremos, eis o motivo de nossa porção humana vez por outra nos reclamar alguns momentos de viver nosso, tão humano quanto cada um de nós somos. Um escrito deveras intenso, que faz pensar, que é muito bom que haja este dia, entre os dias.
    Agradecido, por cá passei, e deveras agradecido me vou, após ler teu belíssimo texto, encimado por não menos belíssima imagem, e também por tua estada por lá e, deixado tão belas e carinhosas palavras, desejo que o teu viver tenha sempre dias de inteira bênção do bondoso criador, abraços!

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  17. Oi Cristina,há dias que precisamos ficar bem aconchegada aos nossos pensamentos e
    dedicar somente a nós esses momentos.
    Dessa forma,sentiremos a paz que nos conforta.
    Adorei seu texto.
    Bjs e obrigada pela vista.
    Carmen Lúcia.

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  18. Cristina,
    Muitas vezes temos que deixar estudos, trabalhos, compromissos sociais para encontrarmos um pouco de paz; o não fazer nada, às vezes é nosso melhor rendimento.
    Abraços.

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  19. Um dia só para nós também é preciso de vez em quando!

    Isabel Sá
    http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

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  20. Oi, Cristina, penso que um dia em que nada fizermos não é jogado fora, não é improdutivo, é um dia que nossa mente está precisando de uma pausa.
    Quanto a solidão...
    'Quando somos abandonados pelo mundo, a solidão é até superável; mas quando somos abandonados por nós mesmos, a solidão é quase incurável...'
    Beijos, gostei muito da postagem.

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Obrigada pelo carinho da tua visita.