30 de agosto de 2016

Que o amor nos salve da vida...



Pois a vida é uma experiência dura... muitas vezes confusa... incompreensível e incerta...e reconhecer um abrigo no meio de tanta inquietude é acolher o tempo da clareza, em que tudo passa a ser suprido de sentido.

Alguns amores nos salvam da vida!!!

Por resgatarem quem somos depois que partes de nós mesmos são deixadas pelo caminho. 

Por fazerem de nossas cicatrizes parte de suas estruturas também. 

Por acolherem nossa história com delicadeza, transformando o que era imperfeito numa nova possibilidade. 

Por permitirem o encontro com a esperança, o cortejo com a fé. 

Por dividirem as angústias do existir, permitindo que nossos fantasmas sejam lapidados, nunca enterrados.

O amor nos torna vulneráveis. 

Ainda assim, percebemos sua urgência quando compreendemos que a vida é uma faísca, um piscar de olhos entre o nascente e o poente de nós mesmos.

Como diz a canção, "a vida tem sons que para gente ouvir precisa aprender a começar de novo..." 

E descobrimos que começar de novo não significa retroceder, mas entender que não haverá mais de nós em cada esquina ou aeroporto. 

Que não há outro tempo em que estaremos juntos além do tempo presente que se descortina diariamente. 

Que não seremos melhores ou maiores além do que podemos ser nessas horas em que vivemos e permanecemos lado a lado.

De vez em quando torna-se necessário fazer o caminho de volta para que o amor nos reconheça também. 

Desistir das corridas, dar trégua aos projectos 'imprescindíveis' , abandonar rotinas desgastadas pelo tempo, apaziguar o contrato com a pressa. 

Resgatar os laços, valorizar os momentos, perceber-se merecedor daquilo que não se toca nem se vê. 

Arriscar a travessia, suportar os desvios do percurso, desistir de antigas rotas, aplacar a saudade do que ainda está lá.

O tempo leva embora de diversas maneiras, enquanto a vida traz sem grande alarde.

Que haja lucidez. 

Lucidez para enxergar os presentes que recebemos e poucas vezes enxergamos. 

Lucidez para valorizar o que nos pertence de fato. 

Lucidez para aceitar o fim de um tempo e o começo de outro, diferente, mas nem por isso pior. 

Lucidez para acolher o que é verdadeiro, real e provido de sentido.

Lucidez para amar e ser amado. 

Lucidez para finalmente permitir que o amor nos salve da vida...


(DA)

9 comentários:

  1. Que lindo teu texto e o amor verdadeiro sempre pode nos fazer bem! bjs, chica e lindo dia!

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  2. Olá princesa, espero-te bem.
    Um beijo :))

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  3. Boa tarde, Cristina, perfeito!
    "Que tenhamos lucidez, para permitir que o amor nos salve da vida!"
    Felizes dias, abraços carinhosos
    Maria Teresa

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  4. Bonito texto!

    Beijos

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  5. Se nada nos salva da morte, pelo menos que o amor nos salve da vida;)

    Bom fim de semana, Cristina:))

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  6. O mais difícil na vida é que não nos dão qualquer tempo para experimentar ou para treinar. Mal entramos nela, e logo ali o jogo começa a sério: é perder ou ganhar.

    Devíamos ter pelo menos duas vidas, uma para treinar e outra sim, para VIVER.

    Bom fim de semana.Bj

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  7. Olá:
    O amor foi feito para nos libertar e assim salvar-nos...

    “O nosso verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar de inteligência sobre nós próprios.”

    Yourcenar , Marguerite-Citador

    Beijinho doce:)

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  8. O amor sempre nos salva. É preciso ter a coragem e a lucidez de o aceitar em todos os momentos.
    Um belíssimo texto!
    Boa semana.
    Beijos.

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  9. Mais um texto notável, e tocante, Cris!...
    Para ler e reler...
    Adorei! Beijinhos!
    Ana

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Obrigada pelo carinho da tua visita.