31 de janeiro de 2016

O dia em que te esqueci...




Há um dia em que finalmente tudo passa, vais para a cama e adormeces profundamente, sem sonhos ou pesadelos, sem depositar na almofada as grossas e salgadas lágrimas que andaste o dia inteiro a conter. 

Acordas de um sono reparador, levantas-te decidida da cama, saltas para o duche sorridente, vestes uma roupa elegante e colorida e quando colocas perfume, já nem te lembras da pessoa que to ofereceu.

Chega sempre o momento em que ao pegar no telefone te sentes tranquila, sabes que não tens mensagens especiais daquele por quem há tanto tempo esperas e, quando ele toca, já não largas tudo para ir a correr atender, pois sabes que a pessoa em que pensas, há muito que te esqueceu.

Um dia também, consegues finalmente frequentar aquela esplanada com vista para o mar, beber o teu café, ler o teu livro, apanhar sol no rosto, inspirar a brisa sem ter o coração em sobressalto, sabes que aquele com quem partilhaste, naquele mesmo lugar, sonhos e beijos ternos, não vai chegar e sentar-se na cadeira ao teu lado.

Há um momento na tua vida em que já não choras quando ouves a música que tanto te fez sorrir, já não te emocionas quando vês um filme romântico, já não olhas para a estrela polar pedindo como o teu maior desejo, o amor daquele que talvez nunca te tenha amado.

Há um dia em que a dor adormece e esqueces tudo o que aconteceu!!!

Que pena que esse dia não seja hoje…




28 de janeiro de 2016

Momentos...




A atmosfera era envolvente… o Sol escondia-se timidamente no horizonte.

O vento afastou-se para não nos incomodar mas emprestou-nos a sua brisa, suave o suficiente para fazer ondular o meu cabelo e arrefecer o teu corpo suado.

Estiraste o corpo… saboreaste lentamente cada gota do néctar que te oferecia misturado com as gotas dos meus beijos, numa mistura doce e quente de prazer.

Massajei-te lentamente os pés, com os dedos húmidos de creme, deixei que as minhas mãos trilhassem as tuas pernas (desenvergonhadamente,).

Encontrei-te numa manifestação de virilidade e desejo que me fez demorar e prolongar cada movimento para te incendiar de prazer.

Deitei-me sobre ti...

Olhos nos olhos (sabes que adoro olhar-te nos olhos)...

Desembrulhei o papel do bombom, da mesma forma que me desembrulhei do cetim da camisa de noite e prendi-o, insinuante e sedutora, no meio da minha boca.

Lentamente…muito lentamente… deixei que o bombom desenhasse no teu pescoço, no teu peito, na tua barriga, em todo o teu corpo, um fio de desejo e chocolate (e enquanto o bombom derretia em açúcar, nós derretíamos em mel...

Trinquei com prazer o bombom e dividi-o contigo num beijo apaixonado.

Ainda te lembras?!?




27 de janeiro de 2016

Não posso negar!!!




Não posso negar o caminho que fiz, como aqui cheguei, tudo aquilo que vislumbrei (a sonhar e acordada) o que a minha pele sentiu, o que o meu coração amou. 

Não posso negar o quanto fui feliz, porque ao olhar para trás vejo uma felicidade imensa, foi contigo que aprendi o nome das montanhas, que atravessei os rios, que conheci a areia dos desertos e que viajei na cauda dos cometas para tocar nas estrelas. 

Jamais poderei negar que foi ao teu lado que conheci a melodia dos pássaros que percebi que o vento também nos acaricia o rosto e que os raios do sol quando nos tocam não é apenas para nos aquecer.

Não, também não vou negar que sobrevivi contigo ao mais intenso dos temporais, como Ulisses na sua jangada, que foi contigo que fiz a descida aos infernos como o Dante e que sobrevivi à perda como só faz quem viveu um grande amor.

Enquanto me lembrar de todos os detalhes sinto-me viva e, nessa sensação, mantenho-nos vivos também. 

Há uma bola de cristal que flutua sobre nós que paira para nos lembrar que nós acontecemos, que fomos reais!!!


25 de janeiro de 2016

Como Se Eu Fosse...




Aproxima-te… lentamente…com serenidade... como se eu fosse o trajecto que timidamente vens percorrer e o destino que vens conquistar. 

Fica perto… o suficiente para te ouvir respirar, para sentir o teu coração bater, para absorver o calor que se te evapora da pele. 

Contempla-me… como se eu fosse uma peça rara de fino cristal, um quadro valioso de um pintor famoso, uma gota de orvalho, singela, sobre o corpo aveludado de uma rosa. 

Sente-me... como se eu fosse um farrapo delicado de nuvem que esvoaça pelas janelas da tua vida. 

Toca-me... com delicadeza… como se eu fosse um pássaro acabado de nascer e desliza... desde a ponta dos dedos, passa pelas minhas mãos e vai subindo pela minha pele trémula e macia. 

Repousa o teu toque no meu rosto e segura-o… como se fosse o teu bem mais precioso. 

Deixa que a tua boca descubra o mel da minha boca e que os nossos lábios se unam num momento mágico de prazer. 

Permite ao teu nariz deslizar sobre as curvas do meu pescoço alvo e inalar da minha pele o meu aroma quente de mulher, o meu perfume fresco de menina. 

Desnuda o meu corpo frágil e liberta-me de tecidos e pudores e deita-me numa cama feita de amor, com edredons de penas feitos de desejo, lençóis bordados de carinho, almofadas engomadas de mimos.  

Prepara-me um leito onde me sinta protegida, onde me aninhe em ti e me possa perder para me encontrar. 

Solta a tua voz em doces ecos ao meu ouvido, faz-me crer que sou única, que sou diferente, que sou especial. 

Não prometas nada que não possas cumprir, não jures nada que não sintas, não queiras nada que não possas ter… 
não ofereças nada que não tenhas...



Meo Arena 25Jan2016


20 de janeiro de 2016

Hoje doeste-me!!!




«Um sonho que sonhes sozinho é apenas um sonho», John Lennon

Estava ainda deitada, não precisei abrir os olhos, naquele mesmo instante o meu pensamento esvoaçou ao teu encontro. 

Senti uma dor aguda, daquelas que se propagam por todo o corpo e que o deixam dormente durante horas. 

É frequente este estado quando me dóis, ficas latente em mim, agarrado à minha essência o dia inteiro.

Já me levantei pesada, é difícil carregar-te nos meus ombros franzinos e cansados uma vez mais. 

Outro dia inteiro a sonhar-te, a lembrar-te, a respirar-te. 

É sempre assim, tento esquecer-te, apagar-te, distraio-me como posso, trabalho mais horas para ocupar os pensamentos negligentes, leio mais livros para me distrair com histórias de finais felizes, oiço mais música para esquecer a tua voz, como mais chocolates para dissolver o teu gosto da minha boca, bebo mais vinho para atordoar a tua imagem em mim, passo mais horas no ginásio para que o corpo não chame por ti.

E no fim, do dia, quando regresso à cama, ainda me dóis mais. 

São os ecos das tuas histórias a partilhar comigo o teu dia, são as tuas pernas quentinhas onde aqueço os meus pés gelados, são as trocas de mimo que só quem ama conhece, são as muralhas do teu peito onde descanso a cabeça para dormir.

Hoje doeste-me… por isso vou dormir para te apagar de mim, porque enquanto durmo esqueço que existes e habitas num mundo do qual eu não faço parte, nada temo ao adormecer, há muito tempo que não sonho contigo e não tenho a sorte de me encontrar contigo nas estrelas da noite!!!



16 de janeiro de 2016

Também não sei viver, só estou a improvisar...


«Um sonho que sonhes sozinho é apenas um sonho», John Lennon

E no meio da discussão, das lágrimas que caíam de par em par, das palavras que mutilavam como espadas ela gritou num pedido de socorro 

“- Também não sei viver, só estou a improvisar!”

Este desabafo atingiu-o como uma seta. 

Largou o orgulho, livrou-se da raiva, libertou-se da necessidade machista de ter sempre razão e deu dois passos decididos para ela, agarrando-a com determinação para a calar com um beijo.

Um beijo…era tudo o que era preciso para colocar um ponto final naquela discussão, prendeu o seu rosto com as mãos para impedi-la de fugir. 

Tinha de a fazer sentir naquela união de corpos que ela era a tal, aquela que os poetas versam em sonetos, aquela para quem os compositores conceberam as mais belas sinfonias, aquela por quem esperara a vida toda porque lhe traria o amor. 

Abraçou-a sem deixar que o beijo terminasse, naquele corpo delicado e franzino havia toda uma fortaleza onde ele habitava e sem o qual já não saberia viver.

Quando o beijo começou a desmaiar não deixou que a sua boca tivesse descanso, lentamente sobre os seus olhos, sobre a pele maravilhosamente perfumada e macia foi depositando todo o seu carinho e balbuciou inseguro com medo da resposta

 “ – Fica…eu também não sei viver mas quero improvisar a minha vida contigo”.






8 de janeiro de 2016

Bem vindo ANO NOVO!!!






Bem-vindo sejas à minha vida!!!

Tenho muito prazer em conhecer-te, uma alegria enorme em abrir-te as portas da minha existência de par em par. 


Sei que não vieste para me atormentar, para me magoar, ou para me fazer sofrer, com a mesma certeza que sei que não são os políticos, os partidos, ou os canais de televisão que vão determinar se vais ser protector ou adverso. 


Para te facilitar o trabalho vou mostrar-te o que vamos fazer em conjunto nestes 366 dias e no final do ano faremos o balanço e confirmaremos os prognósticos. 


Olho para ti e vejo muitos mimos, beijos, abraços, sorrisos...


Vais ser o espelho da confraternização com as amigas especiais, daqueles serões de filmes alugados, de elencos hilariantes ou lacrimejantes. 

Substituiremos as pipocas doces por cajus salgados, as bebidas gaseificadas por infusões. 


Falaremos dos nossos sonhos e conquistas, daquilo que nos faz sorrir e chorar, despiremos a nossa alma sem medo de ficar nuas porque uma verdadeira amiga conhece bem a dimensão da nossa essência. 


Temperar-te-ei com o picante dos caracóis nas tardes de Verão, borrifar-te-ei com o vinagre das deliciosas saladas, refrescar-te-ei com o gelo das caipirinhas e adocicar-te-ei com quadradinhos de fino chocolate. 


E nos dias em que me deres a provar o sal das minhas lágrimas, agradecer-te-ei humildemente porque sei que há uma lição em cada gota que verto, uma aprendizagem que precisa ser feita, como forma de me tornar um ser humano melhor. 


2016… és o ano da confirmação que as opções foram as correctas, que o que interessa não é o destino, mas sim a viagem e que o facto de  não fazer planos para a vida para não estragar os planos que a vida tem para mim, é a cada dia uma lição verdadeira de sabedoria.






6 de janeiro de 2016

Um sorriso por aquilo que hoje sou...





Um sorriso por aquilo que hoje sou!!!
Ontem olhei para a lua
Estava grande e brilhante
Pensei em ti
Pensei em nós
Lembrei-me do caminho que vi
E porque o segui
Hoje no escuro da noite
Senti o fardo que carrego
e vejo reflectidas no meu chão
Cada linha desenhada
Na palma da minha mão
Por cada uma que trago
Vai uma lágrima e um sorriso
Uma lágrima por tudo o que te dou
Um sorriso por aquilo que hoje sou

Não sei ver se são bons ou maus, se estão bem ou mal escritos, se tem rimas...

Também não sei explicar de onde surgiu a ideia, nem porquê.

Sei eventualmente que transbordou de um daqueles meus arremessos sentimentais.

Seja o que for olho para eles e nem consigo acreditar que fui eu que os escrevi.

Hoje reli este e tal como o escrevi, tal como o senti agora. Há coisas que nunca passam.

Mas não é só na escrita que me consigo surpreender, acontece também quando percebo que não me consigo desfazer de alguns sentimentos que trago em mim desde "quase" sempre.

Há de facto coisas que nunca mudam e nunca deixam de existir e inclusivamente há algumas que se tornam mais consistentes. no matter what...