29 de fevereiro de 2016

Passado...






O passado é intocável, não devemos apagá-lo da nossa memória, por mais que ele nos tenha feito cair, esmurrar, tropeçar.... aprender e crescer no final!

O passado é o nosso passado, faz parte de nós.

É o fim de algo, ponto.

Existiu, e deve estar no seu lugar próprio: na lembrança.

Quando se tenta esquecer algo ou alguém que fez parte da nossa vida, nesse tempo do passado, existem dois processos de continuar a nossa vida.

Leva tempo!

Requer paciência!

E sobretudo paz...

Por vezes, todos nós, por diversas razões, não conseguimos no imediato ter a capacidade e o discernimento para encontrar nem um, quanto mais estes três pilares da sanidade mental!

Embora o nosso passado esteja solucionado, demora tempo a que o nosso cérebro perceba, que já somos livres.

Como disse é um processo demorado, e cada um têm o seu tempo próprio (como disse o Sr. fresco) de mentalização e de reconstrução!

Para mim é como um funeral (salvo expressão) : primeiro apanhamos o choque, o medo de não saber viver sem (nem com).

Depois vêm a revolta e a pergunta crucial: porquê a nós (por que não a nós?!).

A seguir vêm a tristeza.... e aí choramos, choramos, choramos.... como se não houvesse day after!

É nesta fase que sofremos, é aqui que tomamos consciência da dor física e mental!!!

Porque chega a doer na pele a tentativa de libertação.

Não é no choque, nem na revolta que há dor.... é a na tristeza!!!

E enquanto não fazemos o luto, a memória não esquece. A tristeza atenua, mas não passa, as lágrimas abrandam mas não secam, as feridas cicatrizam mas deixam marca (até ao próximo verão, em que o sol se enche de força e nos queima a pele).

É nesta fase, de pré-luto, que temos a certeza que passou, mas fica a dúvida do que teria acontecido se não passasse!

Aqui o coração não pára de nos entupir, de nos abalroar, de nos atraiçoar...

É como se tivéssemos com fome e não pudéssemos comer.

É como se tivéssemos as chaves para abrir a porta e dizer: I'm free, e não ter mãos.

É a falta de ar pura e dura!

Depois disto tudo, o luto faz-se.

A tristeza dá lugar à realidade.

Já não culpamos a vida e o mundo (que conspirava contra nós)..... e voltamos à tona..... cansados, doridos, mas salvos!!!

Aí, olhamos para o passado e pensamos que a vida não teria sido a mesma, que nós não seriamos os mesmos, se esse passado fosse esquecido.

Porque se ele nos fez cair, foi porque em alguma parte da história nos deu asas..... e é isso que temos de saber perceber.

Ter receio, medo do passado? Querer apagar os seus vestígios e as suas marcas? É puro engano!

O medo é a única prisão, a fuga o pior caminho.

A única verdadeira liberdade consiste em viver livre do medo, e a nossa melhor estrada é aquela que conhece os passos que já deu e avança sem medo para os que vai descobrindo.




26 de fevereiro de 2016

Fazer amor é coisa séria...





Este texto que hoje vou partilhar convosco, não é meu, ontem ao remexer em lembranças, naquela caixinha (bau) onde tudo guardo, desde pacotes de acucar, a coisas escritas em guardanapos de papel, rabiscos de momentos bem vividos e partilhados, bilhetes de concertos... e este... este veio ter comigo de novo, e como sempre que o leio ... me diz tanto... mas tanto... decidi que o ia mostrar de novo. Para quem o conhece, é sempre bom reler, quem nunca leu aqui fica!!!
 


Fazer amor é coisa séria demais...
Não basta um corpo e outro corpo, misturados num desejo insosso, desses que dão feito fome trivial, nascida da gula descuidada, aplacada sem zelo, sem composturas, sem respeito, atendendo exclusivamente a voracidade 
do apetite.

Fazer amor é percorrer as trilhas da alma, uma alma tateando outra alma, desvendando véus, descobrindo profundezas, penetrando nos escondidos, sem pressa com delicadeza... porque alma tem tessitura de cristal, deve ser tocada nas levezas, apalpada com amaciamentos...até que o corpo descubra cada uma das suas funções.

Quando a descoberta acontece é que o ato de amor começa. 
As mãos deslizam sobre as curvas, como se tocando nuvens, a boca vai acordando e retirando gostos, provando os sabores, bebendo a seiva que jorra das nascentes escorrendo em dons, é o côncavo e o convexo em amorosa conjunção.

Fazer amor é Ressurreição!!!


É nascer de novo: no abraço 
que aperta sem sufocamentos no beijo que cala a sede gritante, 
na escalada dos degraus celestiais que levam ao gozo. 

Vale chorar, vale gemer...vale gritar, porque aí já se chegou ao paraíso, e qualquer som ha de sair melódico e afinado, seja grave, agudo, pianinho... há de ser sempre o acorde faltante quando amantes iniciam o milagre do encontro.
Corpos se ajustaram, almas matizaram...


Fez-se o Êxtase! 

É o instante da Paz... é a escritura da serenidade!!!


E os amantes em assunção pisam eternidades !!!




(Texto de um Frei do Colégio Santo Agostinho)

24 de fevereiro de 2016

Faz acontecer...


Faz acontecer entre nós um encontro daqueles que parece ser obra do acaso, mas mais não é do que uma bela artimanha do destino que mexe habilidosamente os cordelinhos para nos unir. 

Entretanto, faz acontecer os teus olhos perderem-se no castanho dos meus, num daqueles momentos mágicos em que a boca nada diz porque as palavras são inusitadas,  mas em que o corpo tudo sente. 

Faz acontecer passeios à beira-mar daqueles em que me salpicas com ondas cristalinas, me molhas a roupa, me fazes escorregar na areia da praia e aproveitas a oportunidade para me dar um beijo salgado que apaixonadamente escorre mel. 

Faz acontecer... jantares à luz das velas, eu não sou esquisita, não precisa ser uma refeição gourmet, acende os castiçais  que eles  acenderão os meus sonhos, deixa que fique apenas latente a luz dos nossos desejos. 

Faz acontecer noites de sofá aninhados um no outro, transforma os teus braços quentinhos num abrigo singelo que me protege do frio, deixa-me ouvir apenas o bater do teu coração a sussurrar o meu nome. 

Faz acontecer o diálogo das pequenas e das grandes coisas, dá voz aos problemas e às diferenças que se instalem pela corrosão dos dias, deixa que haja obstáculos difíceis para resolver, porque a cada dificuldade superada o amor será mais forte.

Faz acontecer...que eu faço valer a pena!!!

22 de fevereiro de 2016

Me Seduz!!!


Há pessoas que nos fazem pensar na vida!!!


Umas por boas razões, a maioria pelas menos boas razões.

Estas fazem-nos repensar na entrega que muitas vezes doamos nos outros.


Fazem-nos refletir sobre o bom íntimo de cada um.


Fazem-nos pensar em nós mesmos... como seres humanos, na pessoa que somos... na pessoa que doamos... na pessoa que sem saber pode moldar... mudar e transformar o curso da vida de outrem!!!


As pessoas que nos fazem pensar na vida pelas boas razões.... essas alimentam-me a esperança de que o mundo até pode ser desumano, mas que se procurar-mos nos lugares certos, haverá sempre alguém que nos preenche os tantos espaços em branco que existem em cada um de nós!!!



17 de fevereiro de 2016

Faz de conta que está tudo bem!!!




Fazemos de conta que está tudo bem, que tudo ficou muito melhor depois, que tudo foi apenas algo que se escondeu, com medo de se perder, com medo de se sofrer!!!

Fechamos a porta da nossa história com a leveza brutal da indiferença, não queremos mais saber o que fomos, se somos, quem seremos agora assim, perdidos!!!

Não adianta fechar os olhos e fingir que não nos vemos, que não nos queremos, que não contamos o tempo ao segundo.

Não sei quem nos fez caminhos paralelos, quem nos fez ventos de norte e de sul, quem nos encheu a alma de quilómetros, quem nos deu asas e nos amarrou ao chão.

Não sei qual de nós falhou, não sei qual de nós desistiu, não sei que muros criamos, que laços rasgamos, que lágrimas deixamos por chorar, que palavras deixamos secar.

Não sei quem foste e quem inventei, não sei de ti agora que não te tenho, não sei de mim agora que não me revejo, não sei de nós... o que será feito de nós?


Agora?

Não sei se é nobreza deixar partir, se é tão cruel amar!!!

Não sei se existe nevoeiro pior que este, em que o beijo se perde no corpo da gente, em que a voz se queima na chuva dos olhos!

Mas eu sei e tu sabes, que a vida quis assim, que nada neste mundo te trouxesse junto a mim.

E agora que o sei bem e que nada mais me faz pensar-te, te digo:



"Amei-te enfim, de um claro amor prestante,
E achei que te amaría além, presente na saudade. 
Amei-te enfim, com tanta liberdade,
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amei-te simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude,
Com um desejo maciço e permanente.
E de ter te amado assim, tanto e amíude,
É que um dia em teu corpo de repente,
Pensei que haveria de morrer,
Por te ter amado mais do que pude."


"In Vinicius de Morais"


Mas hoje nada mais me dá de ti, esse amor outrora agreste e persistênte, ardeu num fogo fátuo a olhos nus... aos olhos do mundo e de toda a gente...
E por fim morreu!!!





13 de fevereiro de 2016

Hoje não...



Acordei tarde e cheia de preguiça depois de uma noite em branco a preparar as reuniões. 

Decidi que hoje vou tirar o dia para mim, não quero sair para tomar café, não quero o peixe assado da mamã, não quero ouvir o telefone, não quero saber de e-mails e o resto do trabalho também pode esperar.

Tomei um banho de imersão quentinho (meu Deus, há quanto tempo não o fazia?) e voltei a vestir o pijama (adoro estar de pijama). 

Fui buscar a mantinha do mimo (aquela que já conhece de cor os filmes que eu vejo debaixo dela) e enrosquei-me num chá e num livro. 

Olho para a capa (presente de Natal à espera das férias do Verão) e penso que o meu tempo anda a ser mal gerido, faltam-me instantes para ler... para escrever... para viver… estou demasiado focada no trabalho. 

Olhei à minha volta, apreciei o silêncio (ainda me dói o silêncio) enfim: toda a casa tristemente arrumada.

Há dias em que as lágrimas teimosas insistem em preencher o vazio que ficou, há dias em que estas paredes me sufocam de tão grandes que são, e há dias (como hoje) em que a alma se deixa iludir pela doce ilusão que tenho de aproveitar o tempo para fazer uma limpeza às gavetas e armários da minha vida. 

As horas preguiçam ao meu lado no sofá, o chá arrefece na caneca do Fernando Pessoa e o Caetano Veloso traz a viola, senta-se nas almofadas e canta só para mim – “às vezes no silêncio da noite… eu fico imaginando nós dois… eu fico ali sonhando acordado… juntando o antes, o agora e o depois…”. 

10 de fevereiro de 2016

Apetecias-me!!!



Apetecia-me… flutuar como uma bola de sabão multicor, vaguear pelo azul do céu e ir ao teu encontro.

Apetecia-me… enrolar, como um bicho-de-conta, e aninhar o meu corpo no teu, ignorar os problemas, esquecer a vida, imaginar que na face da terra existo apenas eu, existes apenas tu.

Apetecia-me… abraçar-te e poder fazer do meu colo uma tranquila Pousada onde pudesses descansar todo o teu cansaço, todas as conquistas, as triunfais e as menos felizes, todas aquelas chatices que no dia-a-dia se apoderam de ti.

Apetecia-me… dar-te um longo beijo, daqueles que se iniciam no lóbulo da tua orelha, e que continuam lentamente, percorrendo todo o teu corpo até terminarem nos dedos dos teus pés.

Apetecia-me… despir de preconceitos, de ideias feitas, e entregar-te numa dádiva de amor, o meu corpo nu e puro.

Apetecia-me… dizer que te adoro e que apesar  dos meus erros, das minhas indecisões, das minhas imperfeições, dos meus avanços e recuos, é só em ti que me perco, mas também que me encontro, que me cumpro como pessoa, como mulher, e que é só contigo, que me sinto completa.

... também "apetecias-me"






8 de fevereiro de 2016

De ti...






O amor não é o que idealizamos, mas antes o que construímos.

E a magia de um amor construído reside nos mais pequenos gestos; está em tudo o que fazemos e dizemos.

É muito mais fácil de encontrar do que as pessoas imaginam. 

Para que isso aconteça é preciso que as duas pessoas queiram, que as duas pessoas acreditem, que ambas consigam olhar para o amor da mesma maneira e para o futuro com os mesmos olhos. 

E é preciso que tanto um como outro percebam o quanto o amor é importante na existência.

É preciso dar espaço ao amor, encontrar-lhe um lugar na nossa vida.

O amor sempre foi uma luta infinita para mim, em todas as suas vertentes.

Mas este, porque esperei tempo demais, é um poço demasiado fundo de se olhar.... é a grande vertigem da minha vida.


Mas ao fim deste tempo todo consegui perceber que já não existes emoldurado na minha lembrança.

Que foste apenas a imagem do homem que construí e nunca do homem que foste.

Deixaste-me um fardo pesado demais para o carregar sozinha: o fardo de amor só.

Quando regressaste pela última vez, o que querias de mim era o meu corpo e a minha pele.


Pouco ou nada querias saber desta pessoa que foi tua.

Despediste-te de mim com a frieza de quem não sente.... e foi apenas isso que restou de ti!

Essa lembrança estanque de um homem sonhado mas não realizado no fim da história!

Tu foste apenas o começo de mim..... mas é sem ti que eu terminarei a minha jornada!!!



5 de fevereiro de 2016

Frases soltas...


Intui os teus medos.
Afaga-os com carinho.
É na sua sombra que se escondem as asas dos teus secretos desejos!!!




O prazer da entrega, onde pele se oferece, ganha dimensão quando o orgasmo tem sabor a promessa!!!




Se nunca deixaste o teu amante adormecer-se em ti, ainda não dormiste por entre as estrofes de um poema!!!



3 de fevereiro de 2016

Sobre o silêncio!!!





E quando se acha que se aprendeu tudo sobre o "Silêncio" eis que aparece aquilo que nunca se estaria à espera. Há muito tempo que não lia nada tão bonito.


"Antes de partir, ficávamos junto uns dos outros, por uns instantes, em puro silêncio. E depois despedíamo-nos de um modo leve, quase alegre, como se não nos fossemos realmente ausentar. Aqueles instantes de silêncio, porém, tinham atado os nossos corações com uma força que raras palavras teriam. Quando nas despedidas da vida nos parece que ficou, inevitavelmente, alguma coisa ou quase tudo por dizer, é bom pensar naquilo que o silêncio disse, ao longo do tempo, de coração a coração. Talvez o que de mais significativo somos capazes de partilhar não encontra no mundo linguagem melhor do que o silêncio." 

(José Tolentino Mendonça In Diário de Notícias da Madeira)




TOQUE DE SILÊNCIO - Uma música linda e triste... hoje o meu estado de alma!!!